A terra estava entregue ao caos. Guerras, massacres, catástrofes naturais e a ação devastadora e cada vez mais descontrolada do homem destruíam ainda mais o planeta. Eis que surge um gênio, o poderoso gênio de Idiotópoles. O gênio era vistoso, musculoso, tinha pinta de galã de cinema e montado sobre uma harpia dourada apareceu em meio a fumaça vinda de uma chaminé de uma fabrica de papel em Xangai. Era possível ver o gênio de qualquer lugar do mundo, todas as criaturas vivas(animal e vegetal) podiam escuta-lo e entende-lo. O gênio então começou a falar: “Povo da terra, venho a este planeta detestável para propor a vocês, criaturas viventes, um jogo. As regras são simples: a primeira criatura que me trouxer uma rosa Albina do deserto será liberto para sempre deste planeta, indo comigo para Idiotópoles, ganhando o direito da vida eterna e salvando todos os outros da sua raça fazendo com que eles tenham o mesmo direito de imortalidade. Vocês tem 7 dias para me entregar a flor.” Ao final da explicação, o mundo que antes estava em guerra, finalmente conheceu a paz. Humanos se aliavam para caçar a tão cobiçada flor do deserto.Eles davam como certa a conquista da imortalidade, já que eram considerados os únicos animais racionais. Comemoraram por seis dias, o mundo estava em festa! No sétimo dia resolveram procurar a rosa do deserto. Procuram, procuraram, e não a encontraram. Eles utilizaram todo tipo de tecnologia possível para localizar a rosa, e chegando no final do dia um dos radares ultramodernos localizou a rosa. Todavia, eles notaram que a rosa se encontrava exatamente no local onde o gênio estava. Mandaram então um representante ir falar com o gênio. Chegando na presença do gênio, o representando dos humanos perguntou em tom bastante irritado “ Oh gênio, como fala para procurarmos algo que esteve sempre com você?” O gênio então responde “ A rosa nunca esteve comigo! A dois dias atrás, enquanto vocês festejavam, a tartaruga me trouxe a rosa. Eu fiquei aqui esperando para ver se outra criatura seria capaz de me trazer mais uma rosa, mas parece que nenhuma conseguiu.” O humano então indignado questiona “Como uma tartaruga, um animalzinho medíocre e irracional foi capaz disto? É um absurdo você salvar uma criatura destas e não salvar a nós humanos” O gênio então responde enquanto desaparecia em meio a fumaça “ Esta sua frase é a maior prova de que vocês, humanos, são criaturas mesquinhas, soberbas e que realmente não são capazes de usar mais que 10% de seu cérebro”. O gênio então some levando com ele todas as tartarugas.
A moral da historia pode até ser legal, mas o gênio estava errado. Essa historia de que o humano só utiliza 10% do cérebro é somente um mito. Sabe-se que, apesar de a evolução ter gerado uma certa redundância nos circuitos do cérebro, ele é usado por completo. Diversas técnicas empregadas pela neurociência moderna (tomografia, ressonância magnética, etc) mostram que não existem áreas inativas no cérebro. Como determinadas funções são concentradas em áreas específicas do cérebro, pode ocorrer que em um dado momento uma certa função (e sua região cerebral correspondente) não esteja sendo utilizada. Isto é, não utilizamos 100% do nosso cérebro durante 100% do tempo, mas utilizamos todo o cérebro ao longo de nossas diversas atividades normais.
Mesmo sem o conhecimento destes fatos, não seria muito difícil identificar a falsidade deste mito. Afinal de contas, se a maioria das pessoas deixassem 90% de seu cérebro ociosos, um traumatismo craniano que envolvesse a perda de massa cerebral não seria algo tão grave a não ser que a vítima tivesse o grande azar de perder os 10% importantes. Alguém já viu um médico dizer para a família de uma vítima de um tiro na cabeça, “Seu filho teve sorte, a bala atingiu uma área ociosa do cérebro… ”?. Da mesma forma, 90% dos tumores de cérebro seriam facilmente resolvidos, podendo a área afetada ser retirada sem maiores problemas.
Portanto se você ouvir alguém falar isso, pode responder tranqüilamente: ” Errado, nós usamos 100% da capacidade cerebral!”.
Viva la vida!
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3 comentários:
"Seu filho teve sorte, a bala atingiu uma área ociosa do cérebro!" Hahuahau
É, eu gostei! E disso aqui surgirão muitos outros textos provindos dessa mente mirabolante - entende-se por louca (?). E isso foi um elogio. Huhaua Beijos, Drico!
Bom conto. E boa explicação.
Mas vou dizer uma coisa: Nós usamos 100% do cérebro, mas não 100% de nossa capacidade cerebral. Isso é algo impossível de acontecer.
^^
http://papeisriscados.blogspot.com/
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